segunda-feira, 26 de junho de 2017

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     Hoje a minha amiga que trabalha comigo perdeu o bebê, uma história complexa e cheia de buracos não explicados, cheios de "isso podia ter sido evitado". Acho que a ficha ainda não caiu, fico lembrando da dor que foi quando minha mãe perdeu um bebê, mas o que sinto não é nada parecido. Dói muito saber que aquela pessoa com quem todos nós sonhamos em conhecer, sobretudo ela, já sofreu os baques tenebrosos da vida. Só de pensar que ela nem chegou a segurar nos braços aquele ser humano com quem ela conversou por tanto tempo, sentir o coração bater junto com o seu, de acariciar seu rostinho, de ver seu rosto e finalmente saber como aquele bebê era, qual era o rosto dele, a identidade dele, quem ele era. Isso realmente dói. Imagino as pessoas perto dela evitando o assunto, falando sobre outras coisas e ela sabendo que é pra distraí-la e se ela fosse um pouco mais sincera ela teria coragem de dizer: não precisa papear comigo, eu não quero esquecer. Quando algo desse tamanho acontece é como uma carga em nossa volta e fico imaginando como que ela passa? Se a tristeza passa quando conseguimos parar de chorar e como conseguimos. Se é conformismo ou adaptação. Espero que a Gisele fique em paz, que essa dor não a absorva e que ela possa se curar, de tudo. Que a Gisele floresça agora que é mãe pra sempre. Que o irmão do Toni nasça em breve!

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