sexta-feira, 21 de abril de 2017

Neutralidade do corpo

A Julia Petit respondeu no Petit Comitê #65 uma pergunta sobre body positivity, esse movimento de amor próprio e de uma aceitação necessária e urgente, um movimento de sempre estar alto astra que em algum momento se tornou algo negativo. Um novo movimento, que surgiu repensando esse primeiro, é o body neutrality, que é sobre apenas se aceitar e ser neutro sem a necessidade da positividade a todo custo. Antes de qualquer movimento, "sofríamos" com a imposição de um padrão e um tipo de corpo que deveríamos ter; deixamos esse tipo de pensamento e vamos direto para a aceitação e o amor ao próprio corpo, a olhar pro seu corpo como algo perfeito como chegou na terra. A grande questão é que o foco nunca deixou, nem por um momento, de ser o corpo. Nunca paramos de nos preocupar com o nosso corpo e isso não é exatamente positivo. Sou eu, meu corpo, meu eu, minhas coisas, minha forma e todo esse blá blá blá egocêntrico.
Quando venerar o próprio corpo se torna obrigatório, o mal-estar criado por uma celulite é substituído pela impossibilidade de ver beleza em si mesmo a todas as horas do dia ou da noite.
Juliana Domingos de Lima
Esse super positivismo nos coloca em algo falso porque dizer que amamos o que há de negativo na gente ou que estamos satisfeitos com tudo é a maior mentira! Ninguém se ama sempre e nem gosta de tudo em si, na verdade nos amamos menos do que odiamos, e é algo que poderíamos compreender para tolerarmos. A imposição de "seja feliz o tempo todo" oprime tanto quanto desejar o corpinho de praia, porque a pessoa que muda alguma coisinha é taxada de fraca. 

A neutralidade é parar de pensar todo tempo sobre isso e aceitar o corpo que se tem ao invés de venerá-lo a todo custo. Julia fala que melhor do que se amar é se olhar com tolerância, como a maquiagem que serve não para sermos alguém que não somos, mas para diversão, e como a Ariel Bissett fala no vídeo A Feminist Book and Some Feminist Thoughts, é algo que dá um brilhinho em quem você é. A ideia é nos conhecermos, nos entendermos, a tolerância não é para nos aceitarmos acima de tudo, mas entender que é esse corpo que temos pra viver e que devemos ser amigos de nós mesmos, nos relacionarmos bem porque é com a gente que a gente fica direto. Não falo de aparência, mas de pessoa e personalidade. Podemos mudar quando sentimos vontade, temos essa liberdade E ai vem aquela frase da vovó, se eu não me ------, ninguém -----.

Há um mês, ou um pouco mais, eu venho tentando juntar dinheiro pra poder depilar minha perna no salão porque acho mto cansativo ter que fazer isso. Passei um bom tempo com a perna BEM cabeluda e eu ficava tentando me convencer de que eu achava aquilo feio por causa de alguma revista de moda, "as"vilãs. Todos os dias eu fico pensando se vou passar maquiagem ou não e acabo não passando porque uma voz em mim diz "você não precisa de maquiagem pra provar que se arrumou para a ocasião". Depois que comecei a engordar a pergunta de "devo me empoderar ou fazer academia" que o Dario faz em um vídeo enquanto faz compras, sempre fica na minha cabeça. Eu devo me empoderar ou emagrecer? Mas eu quero emagrecer! Eu sinto que não estou no meu corpo e que mudei demais pra pior. Mas e se eu depilar a perna, se eu emagrecer ou se eu me maquiar todos os dias eu não vou estar "traindo o movimento" e tentar ter um corpo que não tenho, ao invés de amá-lo? 

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