domingo, 30 de abril de 2017

Amélie trabalhando

     Há uma crítica ao filme da Amélie por ele representar e inspirar uma juventude sem poder político e individualista. A minha visão era que o universo do filme representava um sociedade evoluída, em que o Estado existe para proteger o povo e garantir seus direitos de trabalhar, de ter moradia, de se aposentar, de poder andar sozinha durante a noite, de andar sozinha, de desfrutar de uma boa cidade, de modo que essas coisas se tornassem secundárias na visão das pessoas porque elas teriam oportunidade de se preocuparem com outras coisas, como densas crises existenciais, já que o corpo já estava em  paz. 

     Amélie saindo de casa para a liberdade, arrumando uma casa simples com seu coração, cozinhando, indo pra casa do pai, satisfeita no trabalho, é um espécie de ideal. Parece individualismo, mas só a ideia de poder andar sozinha na própria cidade é pra mim uma expressão absurda de liberdade. Quem me dera. Todas as vezes que ando sozinha pelo campus da faculdade, me sinto segura, e sinto o que Amélie sentiu a ajudar alguém, só que melhor, só pelo prazer de não estar com medo. 
     Por causa de uma infância solitária, para Amélie o trabalho deve significar liberdade. Ser adulta não é o abandono de algo maravilhoso para algo tenebroso, mas totalmente o contrário, porque há muita beleza na liberdade de pensar sozinha e poder escolher seus próprios prazeres. 


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