terça-feira, 7 de março de 2017

Navegar é preciso

​​Há algum tempo eu tenho me incomodado com as redes sociais, mas não exatamente com elas e mais com as pessoas que a usam: até porque o G+ ainda é um amor. Tirando a questão de todos os comentários de ódio, a internet de repente se tornou um lugar terrível para navegar, porque mesmo que você não esteja lá para brigar, você vai querer brigar porque "uau! a internet é excelente para debates!". Mas que debates? Fazer um trabalho da faculdade sobre um assunto sério é tão difícil pra mim que eu imagino como consigo escrever textão sobre assuntos polêmicos com tanta facilidade e a resposta é clara: eu não sei do que to falando! E eu decidi que precisava parar, principalmente porque eu já estava ficando muito triste com tudo o que lia.
A partir de agora eu quero aproveitar a internet como antes, em todo seu poder e glória de conteúdo, conhecendo histórias incríveis, navegando muito longe e profundamente. Lembro quando eu conversava com o Kaco pelo msn, esperando animada pra ele entrar e discutir assuntos profundos e existenciais da alma e Clarice Lispector, ou conversar entusiasmada com alguém sobre como Legião Urbana é bom. Antes dos "feeds" eu tinha que procurar o que era legal, acessando vários blogs de pessoas como eu, ou pessoas totalmente diferentes e maravilhosas, lendo diários de garotas inteligentes que misturavam várias ciências com os acontecimentos de repente incríveis de suas vidas. Descobrir o "muro do rock" e baixar discografias inteiras era sen.sa.cio.nal.: ouvir os cds dos Beatles e "meu deus essas músicas são muito boas de verdade!" ou baixar músicas aleatórias no Ares e ouvir versões únicas e inesperadas que ainda não conhecia, ou baixar um vídeo da Lilly Allen e na verdade ser algo BEM imoral. Faz parte. Quando conheci a Tavi Gevinson compreendi o poder da internet, porque apesar de eu não fazer ideia do que ela estava falando (por não saber inglês) eu sentia que amava a forma como ela dizia com seu jeito de vestir "somos mais do que esperam de nós" e na internet ela era alguém que na vida real era mais complicado de ser: ela mesma. e ai como a internet era incrível naquele momento.
A internet que eu quero é um mar bonito e extenso para navegar, com informações incríveis e geniais, com alguém ensinando como mudar o mundo, com tutoriais de como ajudar alguém que está sofrendo assédio, com todas as fotos dos desfiles de Milão e Paris disponíveis minutos depois do espetáculo, com espaço para Chance the Rapper e Frank Ocean, com uma menina indiana me mostrando como minha visão da Ásia tá mal elaborada, com um blog punk e feminista para uma mulher fugir dos desesperos de não poder ser quem é no seu trabalho e vida cotidiana, com opiniões muito interessantes sobre as coleções de moda que refletem nosso mundo, com Frankie Cosmos, uma menina da minha idade, que tem dois cds com músicas que são diários cantados da forma mais sincera do mundo. Um mar, um espaço infinito e livre, em que pessoas reais fazem coisas boas e sinceras sobre o que sentem e compartilham porque querem conhecer alguém que pensem parecido e porque no mundo real nós ainda não podemos ser quem nós queremos, mas na internet podemos! (ou deveríamos poder).
É sobre o que somos e o que podemos ser, onde podemos chegar, sobre o que fomos milênios atrás. Não sobre o que odiamos, sobre o que não queremos, sobre onde não vamos.
É aquele navegador português que não entorpecido pelo desejo de poder da realeza, entra nas caravelas com a sensação de que o mundo é muito maior que sua cidade e que as pessoas são muito mais diversas que sua sociedade, que os sabores e cheiros são muito mais imagináveis e que navegar será sua única chance.

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