terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Comme des garçons para Merce Cunnigham

"[...] A internacionalização das formas prossegue e dá as cartas culturais. [...] Rei Kawakubo confronta o corpo em movimento com o espaço
Merce Cunningham, que declarou a autonomia da dança frente à música, pressentiu em CDG, virtuose do corpo cujo movimento é captado e depois restituído em roupa.
Os figurinos de Rei Kawakubo, que, longe de lisonjear o estereótipo de belo corpo, quebram a vaidade do bailarino e a ingenuidade do espectador. 
Os figurino integram-se ao movimento. [...] Uma espécie de lupa guia nossos olhos para o modelo, para os pontos de tensão onde se joga o encontro, fortuito no tempo mas desejado.
Intuição mais do que capricho, encontro e coerência, acaso controlado e continuidade: redescobre-se a coleção nesses figurinos. Mas, desta vez, servidas pelos corpos fulgurantes dos bailarinos, formas ilustram a inesgotável magia do movimento. Então, por que não oferecer este prazer a si mesmo, a sua própria imagem? Se um desfile deve transmitir em vinte minutos um concentrado de vontade, de ideias, se pode colocar o olhar para trabalhar e incitar o devaneio, seu efeito se prolonga e se desenvolve"
por France Gard, no livro Comme des garçons, que foi salvo da trituração da Cosac Naify. 

0 comentários:

Postar um comentário | Feed