quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Arabelle no universo de Rei

A Arabelle contou como conheceu a Comme des Garçons e diz que ficou maravilhada com a diferença daquelas roupas, imaginando como a pessoa que vestia aquelas roupas deveria ser destemida e indiferente sobre o que as pessoas pensariam dela. Para ela, Rei Kawakubo é única e autêntica, principalmente porque ela é a única a comandar sua marca, diferente das outras grifes que são dirigidas pela LVMH, uma multinacional de luxo. Rei Kawakubo não depende de ninguém além dela mesma, não tem a obrigação de agradar ou responder aos desejos de alguém, somente aos dela.
Rei transforma o conceito que conhecemos de roupa, porque você pode estar andando com uma jaqueta, virá-la e estar vestindo algo totalmente novo. Suas roupas expressam a ideia de que ela está completamente desinteressada com a aceitação de fora.
Até conhecer Rei, Arabelle tinha a ideia de que roupas serviam para inserí-la dentro do ideal do que as pessoas queriam pra ela. Ela vestia uma nova identidade para cada situação em que devesse se encaixar. Mas as roupas de Rei desafiam a pensar. Para vestir um vestido ela demora pra adivinhar como usá-lo, as vezes precisando de ajuda de outras pessoas, e simplesmente ela virar um pouco a roupa ela se torna em uma nova peça. Você pode vestir uma única peça de Cdg várias vezes de várias formas diferentes. Qualquer maneira de vestir a roupa está certa, porque você escolheu assim. Você se torna constantemente algo diferente, algo que nunca viu antes, algo novo por causa da roupa.
Em uma entrevista Rei disse que suas roupas eram feitas para mulheres independentes que não são persuadidas pelos pensamentos de seus maridos. Numa exposição da Cdg, as roupas estavam penduradas, sem nenhum manequim, não havia um tipo de figura de mulher imaculada e glamourosa para idolatrar, mas só tinham as roupas penduradas, sem corpo, desafiando você a imaginar como preencher os espaços, sendo parte da arte e da história, o que não era glamuroso, mas era bonito.
Rei fez Arabelle entender um feminismo em que você é suficiente, você se completa na diferença com os outros. Você tem uma história pra contar com suas diferenças e singularidades, e ninguém pode tirar isso de você. Há muita força e coragem em ser capaz de se colocar sozinha e dizer "isso é tudo de mim. Ame ou deixe. Não vou me desculpar pela minha existência. Não vou me explicar para que você se sinta bem". Assim como Rei cria um novo significado para as roupas. criando suas próprias ideias sobre para que as roupas servem, Arabelle descobriu novas maneiras de compreender os gêneros que gostava e de se posicionar, aceitando partes de si que antes achava muito estranhas para serem exploradas. Explorar essas partes a mantém indo em frente.
Assim como Rei, Arabelle quer que seu trabalho e sua identidade (que a maneira como explora o espaço em que está e como o conecta com outros espaços) desafie as fazer as pessoas pensarem mais sobre o mundo a sua volta, fazendo-as sentir desconfortáveis com o status quo, usar todo seu potencial para fazer algo maior e melhor disso. Ela quer mudar o mundo a sua própria maneira, sem se desculpar.
Rei transforma aquilo que pensamos sobre roupa e como estamos acostumados a usá-la, transformando o que ela significa. É como algo que sai de dentro de você, algo que transforma a estrutura do seu corpo e te transforma em algo diferente, diferente do que conhecemos de um corpo humano. 

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