06 fevereiro 2016

Sobre pais intolerantes e filhos insuportáveis.

Estava eu conversando com uma colega de trabalho e sobre o fato de eu odiar abuso de poder, inclusive vindo dos pais; se o pai diz "não", é de se esperar que o filho entenda o que aquilo significa, porque no fim das contas se o pai não fala ele acaba saindo como um ditador autoritário. A colega disse que não, que existe essa relação de autoridade. Dei o exemplo da mão que fez mudanças no quarto do filho e quando ele disse que não gostou e perguntou o motivo, ela só disse "porque eu quero". No fim ela só gostava de dar uma mudada. O filho teve que se acomodar em um quarto que era seu, mas que não lhe trazia felicidade, só por causa de uma neurose da mãe, que se ela tivesse explicado eles poderiam "dar uma mudada" de modo que agradasse os dois. A colega disse que o namorado dela um dia reclamou pra sogra que não achava justo que ela mandasse que a filha (minha colega) resolver certos problemas que não eram dela. Minha colega reproduziu o diálogo - monólogo - com prazer imenso: "enquanto ela estiver na minha casa, comendo da minha comida e vivendo sobre as minhas regras ela vai fazer o que eu quiser e se você achar ruim ainda dá tempo de deixá-la e ir embora". Os filhos têm uma obrigação com os pais tanto quanto vice-versa, mas é uma obrigação de puro amor. Não se pede pra um filho fazer um favor porque ele deve a casa, a comida e tudo mais, mas porque da mesma forma que os pais, por amor, oferecem tudo isso a ele, ele vai, por amor, achar várias formas de agradecimento. Dei outro exemplo de uma mãe que, por uma bobagem, achou que o namorado da filha não era gente boa e mandou ela terminar o namoro. Minha colega disse, orgulhosa, que já tinha terminado um namoro porque o pai tinha mandado e depois viu que o rapaz não era realmente o que ela precisava. Contou também que para que o atual namorado pudesse ter a permissão do namoro levou cerca de seis meses, porque o pai dela não era muito favorável, pois conhecia a "fama" do rapaz que pelo que entendi não era muito "boa". Ficou evidente que da primeira vez ela não gostava do garoto o suficiente pra confrontar o pai, mas da segunda vez ela esperou o tempo necessário pra que o pai largasse a "birra" e "aceitasse". Garota, quem tem que aceitar é você! Seu pai não ensinou você a fazer escolhas conscientes? Ele achou por bem, a sua vida toda, impor sua vontade e nunca explicar pra filha o que aquilo significava porque muito provavelmente ele não espera que em algum momento ela vá viver com as próprias escolhas. Percebi que minha colega não podia questionar os pais, aceitava tudo o que eles diziam e se caso discordasse de início eles mandavam ela se recolher a sua ingenuidade. Tudo bem, esse é o modo tirano dessa família, mas minha colega é uma pessoa que não aceita opiniões, ela briga e grita e como uma criança de cinco anos que não sabe do que fala, mas acha que sim, discorda de quem pensar diferente, as vezes até porque "meu pai que disse". A garota chega a ser insuportável. O modo de criação dela deve ter sido muito agradável pros pais, mas pra ela, coitada, que tem que sobreviver nesse mundo deve ser um mártir iniciar uma discussão ou um debate e em segundos terminar falando sozinha porque ninguém suporta falar com pessoas intolerantes e insensíveis.

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