terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Quantas cartas escrevo nessa vida?

É muito difícil escrever qualquer coisa pra você, mesmo que um feliz natal, porque eu sempre fico nervosa. Nunca aprendi a lidar perto de coisas grandes, pra mim você é enorme, você carrega consigo o próprio mundo e as vezes eu sinto como se pudesse vê-lo.

Bebel, esse ano foi muito diferente dos outros, eu não sei bem o que esperar do próximo, mas ter conhecido você foi um dos melhores acontecimentos da minha vida, salvou esse ano.

Esse ano não foi o melhor, esse ano eu tive muito medo, esse ano eu imaginei que jamais conseguiria fazer na minha vida aquilo que eu tenho que fazer nessa vida. Sempre fiquei nervosa perto de você, sempre tive medo de falar com você, era como um dos filmes que eu assisto e em alguns momentos tenho que recuperar o fôlego porque esqueço de respirar, fico absolutamente paralisada. A sua presença é absoluta, em qualquer lugar, você preenche todos os espaços. Esse ano pra mim foi marado por uma morbidez imensa, por uma existência sobrenatural que me roubava os dias, eu não lembro de quase nada desse ano. Eu me lembro de todas as suas aulas. Eu me lembro de implorar pra que o tempo fosse generoso comigo e não me deixasse perder sua aula. Mas, eu nunca consegui te ver entrando na sala, deve ser triunfal, eu tenho certeza. A sua voz é um deleite. A entonação da sua voz, eu nunca soube sinceramente o que significava "prestar atenção" até que passei a dar, conscientemente e voluntariamente, toda atenção que eu tinha, facilmente, a você. Eu fiquei maravilhada. Eu sempre tentava contar a alguém tudo o que você tinha me contado, eram como histórias de redenção que libertaria a alma de quem as ouvisse assim como eu me sentia livre ao ouví-las. Eu gostaria que todos pudessem sentir aquilo que eu sentia, eu queria que ser capaz de trazer alguém à consciência do poder que possuímos. Mas, eu não sou você. Esse ano eu senti muito medo, eu queria ter coragem de conversar com você e dizer que eu precisava de ajuda, já que você disse que poderíamos conversar com você se precisássemos de ajuda, eu vivia com muito medo e esse era o problema; cheguei a pensar que eu estivesse doente, que eu precisaria de algo mais severo pra me livrar de todo medo que eu estava sentindo, porque eu imaginava que a qualquer momento algo poderia me acontecer; teve um dia em que eu senti um medo horrível e um sentimento apavorante, eu não sei explicar, mas ninguém seria capaz de entender, então eu nunca falei com ninguém sobre isso. Mas eu queria ter tido coragem de falar com você, sei que você teria me acalmado, porque apesar do nervosismo que eu sinto quando falo contigo, é um nervosismo que me aquece o coração. Nesse fim de ano eu descobri que tenho um problema patológico de ansiedade e não sei como me curar, mas quando falo com você, por exemplo, eu me sinto bem.