11 maio 2015

letters in a bottle I

e eu sei lá porque eu não consigo para de ter medo de te perder, quando já se foi. Assim, como quando a gente tem um gato e deixa um brecha pra ele sair, ele é bem esperto, sabe se dobrar muito e fugir. Só que você deixa, você deixa o gato ir, mas espera que ele volte pra beber do leite ou comer ração. É que enquanto o dono do gato espera a volta dele, mal sabe que o gato já sabe comer sozinho e viver sozinho, mas que ele sente falta do aconchego do sofá e do seu novelo de lã. Eu demoro umas semanas pra escrever isso, é que eu começo e paro. depois continuo e deleto, começo e paro. Eu não queria escrever, mas é uma coisa muito chata que fica me perturbando toda hora; não dói não, incomoda, muito.
Esses dias o PAblo voltou, a Luana fez festa por isso, queria vê-lo a todo custo. Acabou que de tanto ela tentar e de tanto ele ter muitos amigos que o amam igualmente, eles nem se viram; a Luana pensa que ele não se importa com ela e ee acha que ela tá muito estressada. Em parte cada um tem razão, mas cada um tá tão magoado. Ela nem quer mais vê-lo, nem, quer, e eu brinco "ói, ganhou um amigo Kaco", "o que é isso", "é um amigo que você ama muito, mas parece que você vai ter que amar bem longe". Ela nega, ri até, "não é isso não, eu não quero ver, to sem vontade. Nem amo mais". Ele falou que ela tá andando com gente que "põe" coisa na cabeça dela, que tudo isso de teatro tá influuenciando muito, mas ele nem parou pra ver que quando ela marcou de sair, ele foi pro shopping com outra gente ai; a Luana ficou tão triste, mas tão triste
que saiu com o pessoal do teatro e bebeu a noite toda, ela disse que até cigarro deram pra ela. Tem noção o que é isso? Tem noção o quanto me deu vontade de chorar e eu não chorava e eu não fiz nada, porque eu tenho medo dela. Eu tenho medo do Pablo me enganar e não sair comigo pra onde eu chamei, tenho medo de não ter mais amigo nenhum? Entende o medo que eu ganhei de te perder também?
É que você, os três, sairam para dar uma volta e sentiram o sabor bom de alguma coisa que eu não senti; eu fiquei, enquanto vocês me diziam "Brunna, prova, é bom". Eu fiquei para esperar, como sempre fiz. Porque se você não sabe, o máximo que eu fiz foi chegar 1 km do cais e olhar com minha luneta, lá de cima, onde eu podia ver tudo e não chegar a nada. Eu nunca naufraguei, nunca tive coragem de chegar lá, porque o máximo que eu ia era parar no seu cais, ver que você estava navegando e voltar pro meu.
Metáfora, só.
Eu conheci gente nova, conheci. Gente rica, gente pbre, gente negra mesmo, africana e gente branca, italiano. Conheci gente que pagava tudo pra mim e gente que mandava eu pagar; gente que me fazia rir e gente que me fazia chorar de verdade. Conheci umas pessoas que me levava pra lugares lindos e gente que não me levava a lugar algum. Teve gente que eu conheci que dizia "eu te amo, sbaia?" e eu sabia que era mentira, mas eu conheci uma pessoa que nunca disse isso, mas eu tinha certeza, porque eu sentia, que ela me amava mais do que a Luana e o Pablo juntos. Conheci gente que disse "não me deixa" e gente que disse "vai embora". Quer saber? Eu só queria ter você pra contar; não contei, pronto. Nem morri. Tá tudo guardado, mas eu prometo, que se um dia eu visse você, aqui ou lá no céu, eu vomitaria tudo em cima de você. Sentimentos e sensações que não acabam mais. Porque nenhuma dessas pessoas aguentariam toda minha sinestesia, ninguém entendria minhas metáforas, nem sei se você entende, mas eu gosto de te contar.
Eu sonhei esses dias com um pintinho, porque ano passado minha mãe comprou um pinto e ele passavaa notie paindo e acontece que depois que ele foi embora eu sonho com ele sempre. Sabe o que eu sonho? Um filme, a sua voz saindo de algum lugar, mas eu sabia que você estava perto, dizendo "a gente precisa cuidar dele", enquanto eu olhava o pinto caido, de uma perna só; chegava ser engraçado, mas eu começava a chorar (porque eu nunca fui tão emotiva como depois desse pinto e desse leão que eu expulsei de casa pelo alarde que faziam). E eu dizia "eu não posso fazer nada". E o pinto contiuava lá, piando, inerte, sem olhar pra canto nenhum, sem saber que ia morrer, só sabia que ia ficar ali, pronto. Sabe o que é isso? Todas as coisas pequenas no meu caminho agora ficarão pequenas, e eu acaberei pisando nelas, porque mesmo você nunca dizendo "cuidado!", eu tinha esse cuidado porque eu queria te mostrar. E se eu pisar, pisei. E se acabou, já era. Fazer o que, né? Se tudo na vida passa, tudo respira, inspira e acaba.
Lembra que em 2009 (acho) eu te mostrei uma música "Geni e o zepelin", foi a segunda música do Chico Buarque que eu ouvi na vida, a primeira foi "cio da terra", que eu não te conhecia ainda pra contar. Você riu da música, achou engraçada, mas não falou mais nada. Mas depois de um tempo, pouco tempo, eu já era ouvinte assídua das canções desse moço, ouvia demais, toda hora. Me achava inteligente só por ouvir, mas você também passou a ouvir e então éramos dois pseudo-intelectuais. Porque eu só sei o significado dessa palavra porque você me explicou. Ouvindo música boa, gostando de arte de verdade e contando mais das coisas que não gostava tanto do que as coisas que tanto se amava, como Chico e Caetano. Não foi por minha causa que você passou a gostar, nem por sua causa que eu comecei a gostar de escrever. O que a gente é não foi uma sementinha que cada um plantou no outro, não; mas o que nós somos é só a evolução de nós mesmos. Você nasceu pra ser o que quiser e eu nasci pra ser. Sabe o por quê de eu dizer isso? Porque "estamos condenados a eterna liberdade", estamos condenados a nos transformar sem que queiramos ou saibamos. Estamos sempre despreparados para aguentar as reações causadas por nossas mudanças interiores. Porque parar de gostar das cores amáveis de Restart e começar a gostar da depressão das cores de Betânia, espanta mais do que perceber a voz mudar ou o corpo se moldar. E espanto, o que é? não é nada se não uma sensação? Então sente! Sente, se alguém se dói com suas mudanças, que seja, que se doa, porque você não pode mudar por querer, mudar é beber líquido preto hoje e amanhã beber um coisa que tem cor de xixi. Mas pera, essa mudança se escolhe sim. Porque as mudanças que a gente escolhe, um dia, farão mal.
Eu não posso te condenar pelo fato de eu ficar trsite de vez em quando, nunca. Porque quantas vezes eu mudei e tudo o que você fez foi assentir com a cabeça e dizer "certo"? Agora, se o problema não são mudanças e sim vontade, se não der pra você me ver hoje ou amanhã e nem ontem, que seja. Eu não vou me entristecer demais e beber e fumar até que o sol invada meus olhos e me diga que eu preciso regressar. Não, eu sou forte, sou demais. Dói, até que dói, mas quando algo dói em uma criança, o que a gente faz? Desvia a atenção. Não é praticar o desapego, como diria a Marquesa de Merteuil, é olhar aquilo que não se olhava, pra achar ali a satisfação que sempre se pode ter, mas nunca se quis buscar. Isso é mudar sem querer.
Eu só escrevi isso porque te amar, por enquanto, é inevitável. Eu não quero mudar, porque vai me fazer mal  
depois e eu quero aproveitar dos prazeres e dissabores de amar um Kaco. É, porque eu já achei outros 3 muito parecidos, quause iguais a você, mas que mal faz se eu quero é amar você? Se alguém se incomoda, espera, que depois de uns 20,30,100 anos eu paro de amar. Que queres que eu te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? Certo, Pessoa? Eu aprendi a me decifrar, a decifrar os outros e a distância presente ´boa, porque eu não quero decifrar você não, deixa você ser sem eu entender. Porque a minha e toda a psicologia pertuba, ela bate a porta do cérebro pedindo pra entrar, quando na verdade ela tem que morar mesmo no coração. Porque gostar de psicologia não é paixão não, é amor mesmo. E eu agradeço não sei a quem por não ter nada no cérebro, porque é lá que estão as paixões, os amores ficam em um lugar muito mais vital. ´Há apenas que por o chão nos pés, só.
Quanto ao seu presente, eu já descobri também.
- Eu prometi um presente, não posso ir entregar, mas a pessoa pode vir buscar.
- Espera.
- Já fazem quatro meses.
- Dá pra alguém que precise, mereça, vende, troca, não guarda.
- Mas se a pessoa estiver passando por um problema difícil? Sabe, não é egoísmo meu querer vê-la em um momento complicado?
- Não há nada demais nisso. A pessoa pensou em você também? Sabe, um presente melhoraria muito o ânimo dela.
- Então, o que é sensato fazer?
- Vive, só. Seja atriz, cospe o medo. Você é fortíssima, você não precisa de ninguém pra ser feliz, amar ou ser amada. Mesmo que precise você tem a mim. Lembra, o cão vai continuar latindo. Os dias com ou sem a pessoas serão os mesmos. Você é atriz, garota! Acorda, você é o mundo.
Quanto a ver você? Chega de saudade ainda é um música para cantar-se em dias de dar uma voltinha. Mas não toda hora, porque eu posso muito bem dizer "oi" pra alguém que nem conheço e descobrir dentro dela alguém que eu sempre quis conhecer, como a moça que come doritos, chocolate e coca de uma vez só. Eu agora tenho um gato, um gato lindo, que tem todos os rostos, todas as cores e todos os gostos, que mia assim "Bru, você é a melhor dona que existe". É, eu sou dramática, só porque eu tenho espirito de diretora.
Corta.