domingo, 17 de maio de 2015

Daisies

Enquanto eu navega na Rookie - aliás, that's my current mood - encontrei um filme soviético, chamado Daises. Eis um trecho da cena inicial


A wikipedia disse o seguinte: "Innovatively filmed, and released two years before the Prague Spring, the film was labeled as "depicting the wanton" by the Czech authorities and banned."

Você pode estar se fazendo a mesma pergunta que eu - ou não, se você for bem educado - "o que raios é a primavera de Praga?". A história é fantástica.
Após a Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento da ordem bipolar pretendia colocar o mundo sob os ditames de dois projetos hegemônicos concorrentes entre si.
Apesar de estar alinhado às diretrizes do bloco socialista, os dirigentes tchecos, um novo grupo de intelectuais comunistas, representados por Alexander Dubcek, pretendia dar uma “face mais humana” para o socialismo. Com isso, o novo governante empreendeu uma série de reformas que ampliavam os direitos civis, as liberdades individuais, prometia restabelecer a liberdade de imprensa, a liberdade de culto religioso e a formação de novos partidos políticos.
Tais modificações causaram verdadeiros arrepios aos líderes comunistas soviéticos de orientação ortodoxa. Buscando reverter tal situação, os líderes do Pacto de Varsóvia convidaram Dubcek para discutir a “ameaçadora onda contra-revolucionária”.
O novo líder da nação tcheca se negou a participar dessa reunião. A recusa indicava o favor de Dubeck às transformações intensamente defendidas por diversas parcelas da população, principalmente os jovens.
Em agosto de 1968, uma tropa composta por 650 militares dos exércitos da URSS e outros aliados realizou a ocupação da capital da Tchecoslováquia. Ao mesmo tempo, as autoridades russas destituíram Dubcek do seu posto político. Em resposta, a população passou a realizar uma série de protestos.
Alguns jovens pacifistas tentavam conversas com os solados, requisitando a sua retirada ou deitando-se na frente dos imponentes tanques militares. Os mais radicais partiam para o confronto direto lançando coquetéis molotov contra os soldados estrangeiros. Ao fim dos conflitos, foram contabilizados 72 mortos e 702 feridos. No fim da década de 1980, a chegada de Mikhail Gorbatchev ao governo russo permitiu que a abertura política tcheca finalmente acontecesse.
Por Rainer Sousa - Graduado em História
I'm stunned! Amazed! How great it is... O diálogo das duas, logo no início do filme, é descarado. Eu, se fosse um soviético, teria pavor das margaridas. Imagino a consicência que esse filme poderia ter trago. Mas, mesmo censurado, os jovens foram fantásticos. A importância da liberdade é tamanha que para esse jovens tchecos não deve ter sido nada demais subir num tanque e conversar com um soldado, tentando conscientiza-lo acerca da prisão em que vivia e que em volta de si mesmo agarrava. Isso me lembro de um amigo que em um dos protestos da chama "primavera brasileira", esteve na frente de toda a multidão e disse que falou para um dos policiais: "Com licença senhor... Como é estar desse lado? Como é vestir essa farda e usar de suas armas para oprimir um povo que também luta por você? Meu senhor...O senhor também anda de ônibus, o senhor também para os tubos de impóstos que nós pagamos, o senhor também tem, assim como nós, que se foder de trabalhar para dar educação de qualidade para os seus filhos, o senhor também é explorado, assim como nós... Qual é a sua luta? Qual é sua causa? Quem você está defendendo?". Achei a ligação fantástica, imagino inúmeros jovens tchecos fazendo quase a mesma coisa com os soldados.

Quase tive uma discussão sem fim com o Arthur porque a gente começou a discutir sobre o conceito de liberdade. Só consigo concluir que é relativo, cada um cria a sua própria, mas ninguém deveria ser privado dela.

MAUDE: I should like to change into a sunflower most of all. They are so tall and simple. What flower would you like to be?HAROLD: I don’t know. One of these maybe?
MAUDE: Why do you say that?
HAROLD: Because they are all alike..
MAUDE: Oooh, but they are not. Look. See – some are smaller, some are fatter, some grow to the left, some to the right, some even have lost some petals – all kinds of observable differences. You see, Harold, I feel that much of the world’s sorrow comes from people who are this, and allow themselves to be treated as that…
Each person is different, never existed before and never to exist again. Just like this daisy