segunda-feira, 15 de abril de 2013

tutoiement et vouvoiement


E se nós nos tratássemos com "vós" e "vão"? Aparentaria nos amar mais? 
Se nos tratássemos com "tu" e "qualquer coisa"? Teríamos um amor mais desobrigado?
quando começarmos a nos tratar como "meu" e "amanhã" seremos amantes fiéis.
no tempo em que nos tratávamos pelo nome éramos estranhos, início para um amor inocente, descompassado, bobeante, de pé, firme e absoluto. 
no dia que nos tratarmos com "você" e "agora" é porque quase não acreditamos e quase esquecemos de nós. 
se nós nos tratássemos como "amor" e "vida" é porque não saberíamos o que tais palavras significam.
Quando nos tratarmos com adjetivos no diminutivo, e talvez usar voz manhosa, será uma prova de que nossos corpinhos já ficaram devidamente juntinhos e nossos coraçõezinhos já tocaram uma cançãozinha pertinho do outro, devagarzinho, pequenininho. 
Por que o amor quando quer parecer mais forte se trata com gramática? E quando quer parecer livre se usa com linguagem popular, e até vulgar? Por que nos dá vontade de entender e explicar tudo e todas as coisas?

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