15 abril 2013

Just for one day


Ela abriu os braços, como se fosse redentora do universo, e sentiu o vento atravessar, não bater, atravessar, como se ela fosse um espírito livre, desses que atravessa paredes, mas ela atravessava o vento. Então ela fechou os olhos e se perdeu numa escuridão imaculada, um espírito de noite procurando corpos para se aconchegar. E o vento voava em seus cabelos e pela primeira vez ela não se preocupou em como eles ficariam quando ela saísse dali, porque isso não faria tanta diferença. Os gritos não se ouvia muito, porque a música que tocava dentro dela agora era muito mais alta, e embora ela estivesse com os braços em posição totalmente contrária a de todos os outros, era isso que a fazia livre, esquisita e especial. No segundo giro ela não se preparou, e ficar de cabeça pra baixo foi absolutamente inesperado, e sair dele intacta foi melhor ainda, mas os estragos que aquela montanha-russa acabara de fazer dentro dela, e com os pensamentos dela eram piores do que tudo. Ela ainda não abrira os olhos porque não queria ver onde estava, esperava sair dali para outro mundo, onde descesse dali e diretamente mergulhasse num mar de água tão azul e brilhante como não existe na terra. E na última subida ela decidiu que iria abrir os olhos, no momento certo, pra que o estrago nos maus pensamentos fossem bem piores, então ela abriu, e desceu, e foi caindo...............
ela entrou em um túnel
as luzes que atravessavam eram como outros espíritos a olhando, e as pessoas paradas eram quase indiferentes diante da infinidade que existia ali, ela quase se sentia voando, e embora ela soubesse que poderia cair e morrer se saísse voando do carrinho, ela queria voar, ela queria voar, queria abrir os braços o máximo que pudesse, abrir os olhos mais ainda e ver além do que todos já viram no mundo, queria deixar o vento a travessá-la de novo. Queria ser Herói, desses que voam, desses que são livres, desses que nãos são criados por homem nenhum, desses que nascem sozinhos, porque são imensos demais pra permanecer calados. E o dela nascia agora. 

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