15 abril 2013

Creep, aren't we all?


- Sabe quando você se sente no mundo errado? Sabe, eu acho que as vezes imagino demais e acabo querendo que minha vida seja igual ao livro. Mas, eu me esforço pra pensar e olho pro mundo e vejo que isso nem existe, sabe? Bem, não pra eles, pra mim com certeza existe. Com certeza. Tenho certeza que os grandes gênios eram absolutamente tratados como esquisitos. Eu tiro pelo Einstein, pela Clarice (que era até de nome), o Camelo, o Russo, Coco... gênios. Não que eu queira ser gênio e essa seja minha desculpa pra não ser assim tão normal, mas eu gosto de ser assim, ser comparada com gente tão grande, ter característica em comum. Sabe. Eu sempre penso que não importa como você morre, importa o que você deixa, você precisa deixar alguma coisa, e certamente agora eu tenho poucas coisas pra deixar porque ainda não pensei muito em morrer, e nem em com quem vai ficar com o que eu deixar. Mas eu não falo de herança não, falo de legado, de algo que faça mais de um grupo pequeno de pessoas lembrar de você. Sabe, o cantor que morreu recentemente deixou um resultado imenso da vida dele. Há pessoas que baseiam suas vidas na morte, mas eu baseio a minha no meu legado e no meu descanso. Sabe?
- Sei sim. Essa história dela ter te chamado de esquisita mexeu contigo, não foi?
- Muito. Mas não foi só isso, é que depois disso eu comecei a querer achar meu lugar, procurar pessoas como eu, porque você não é, e se não é você, quem é? Então procurei, e me encontrei com aquele nosso amigo em comum, sabe? De cabelo ruivo, e olha, tem coisa mais estranha do que ser ruivo? Mas todo mundo gosta! Por que todo mundo não gosta de ser diferente? Quer dizer, acho que gostam, mas não admitem porque não querem ver a diferença alheia. Então, quando eu comecei a falar com ele eu percebi que uma coisa que um outro amigo meu havia me dito era verdade (pra falar a verdade, eu acho que ele me conhece, mas eu tenho que fingir que não, porque você não quer), ele me disse "você começou a andar com pessoas que não têm nada a ver com você" e "no fundo você tem ódio de todas as coisas". Não  é que é verdade? - e eu to escrevendo porque eu sei que essa conversa nunca vai acontecer, porque você nunca vai me entender e isso não vai fazer diferença nenhuma - Eu não pertenço a esse grupo, esse que você faz parte, sabe? Não gosto das mesmas coisas, acho tudo que eles fazem muito feio, acho os nomes feios. São engraçados, divertidos, mas quem é pra mim não me faz rir, me faz sorrir <por dentro> e por fora. Depois fui falar com minha prima, sabe? Eu percebi como ela mudou, e como ela achou alguém igual a ela, mas mesmo ela estando diferente e falando palavrão eu ainda gosta dela, ainda sou dela e ela ainda me faz carinho no coração. Ainda gostamos das mesmas coisas, e ela ainda vem me mostrar as coisas divertidas que ela conhece, e eu conto as coisas boas que fiz e faço por ai. Eu sou pra ela, e ela pra mim, o problema é que não vejo ela com frequencia e pra ela eu tenho minhas amigas também, mas tenho não, sabe?
- arram. Achei que seria mais fácil entender isso. 
- Sabe de outra coisa? A gente não pode sair falando pras pessoas do que a gente gosta e como a gente sente por dentro, sabe? É que ninguém gosta, as pessoas querem que falem delas, acredita? 
- Ué, mas eu to te ouvindo, acho essa sua regra não se aplica tudo. 
- Você tá me ouvindo, é diferente. Não tá me entendendo, e depois de tudo isso vai dizer algo inteiramente dispensável, a menos que você realmente entenda e me diga algo bom, que me faça sentir melhor. 
- Por que tá dizendo isso?
- Porque só escrevendo é que eu posso te dizer o que quiser sem ter que ver sua cara de desconforto de quem está fazendo algo errado e vai por tudo a perder, sabe? 
- E aqui eu faço que cara? 
- Aqui você só existe na parte vermelha. Então, sem caras, só pulsos. E também só aqui eu posso te dizer que to morrendo de vontade de falar com meu amigo de novo, porque eu sei que ele vai fazer com que eu me sinta melhor, e mesmo que ele não tenha as palavras, assim como meu leão tem, fazê-lo se sentir bem me faz achar meu lugar. Embora eu não saiba cuidar das pessoas, eu sei que quando falo com ele por dentro ele se sente "contente" em falar comigo. E eu sempre quis poder dizer a ele que podemos voltar a ser como antes, mesmo que você não deixe, sabe? E aqui eu posso dizer isso a ele sem compromisso, e dizer isso sabendo que você não vai surtar e querer largar da minha mão. 
- Por que tanta certeza? Eu posso estar zangado por você estar dizendo na minha cara que eu estou falhando
- e qual o problema? Eu tenho certeza porque aqui não temos mãos, só coração, e só o meu, o teu nem chega perto daqui. E quer saber, eu vou falar com ele, eu não posso me privar de me achar só por capricho. E capricho é uma palavra que funciona. 

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