quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Juliet é romântica

Se ela morasse nos Estados Unidos ou em qualquer cidade comum de filmes românticos ela poderia deixar um recado após bip e ter certeza que seria ouvida. Mas embora ela fizesse parte de um filme, exatamente igual a todos que ela vira com ele, não dava pra deixar recado ou ir ao parque e de forma lenta e gradual ele se aproximaria e daria início a uma conversa há muito adiada. Ela tinha que ir lá. Mas ela é cinematográfica, ela precisava fingir que nevava e vestir casacos ou qualquer peça de lã que cobrisse os pulsos, para que os espectadores pensassem que de tanto sofrer e cantar os pulsos já não eram mais tão pálidos. Ela pensou na conversa que teria e decidiu escolher outro nome pra si mesma... como seria mesmo? Não ridículo, não típico e não o dela, mas bonito, simples, romântico, sofrido, um nome Juliet. Com T mudo para ficar bonito no fim dos diálogos quando ela imaginasse ele dizer "eu não te amo mais, Juliet". 
Não, não é drama, não é querer sofrer. Ela chama isso como todos os entendidos chamam: arte romântica. 
Juliet é romântica, e não é porque tem o mesmo nome da personagem mais famosa do mundo, mas porque sabe que amar não tem nada a ver com os órgãos e sim com algo invisível e intocável, mas sensível. Amor pra Juliet é andar na praia e sentir os grãos de areia baterem no corpo, ela comparava assim porque achava essa sensação uma delícia. Porque ela nunca via o mar. Porque ela nunca amava. 
O diálogo já estava todo pronto, obviamente ela falaria mais e no fim ela ia enxugar a lágrima no canto do olho direito com a ponta da manga do moleton de lã. Trilha sonora? Não não nem pensar, nas piores cenas não toca música parar que todos prestem atenção especificamente na voz, na boca. E a boca sim é algo sedutor, imoral e cativante. 
Isso, seria um close nas bocas, para que vissem a dele tremer um pouco no canto superior quando ele dissesse a ultima frase. 
- Larissa? 
- É, sou eu Ricardo. Não conversamos direito da ultima vez e imagino que algumas coisas devam ser ditas. Da minha parte eu quero...
- Não podia ter deixado uma mensagem? Um bilhete? Até uma carta se você quisesse ser romântica. Teve que vir aqui?
- Escuta... Eu não entendi nada do que você disse na semana passada e eu vim pra dar um jeito em tudo, vim te ouvir, mas antes eu quero dizer que...
- Larissa, eu não sei o que você pensou em dizer, mas não importa, é isso o que acontece no fim.  No fim de todas as coisas nós voltamos a ser o que éramos a antes de ser. Nada. 
- Mas não morremos. E já que estamos o que éramos antes de ser podemos começar a ser agora, como um ciclo que começa e não tem fim.
- Porque o amor tem fim
- Por que você fala do amor como se você soubesse dele? Como se você entendesse muito bem o que vem antes durante e depois? ou como se amor fosse alguém o algo que pudéssemos estudar.
- Porque eu te amo, Larissa. E a pior dor que já explodiu em mim é essa, que tá aqui dentro agora, essa de amar e não ser amado. Agora vai embora antes que ele chegue aqui e te veja, eu não quero que tudo aquilo comece de novo. 
- Encontros e desencontros só acontecem em filmes, o Júlio me explicou.
- Ele te explicou também que se aproximar de alguém pra chegar a outra é coisa de filme? Não? Não explicou?

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