domingo, 23 de setembro de 2012

Pátria amada e idolatrada.

A Olimpíada Nacional em História do Brasil, da qual eu participo, trouxe à tona milhares de partes do Brasil nunca antes vistas, por nós, meros eurocentristas. A visão que eu tinha do meu país antes de todas as fases da olimpíada era simples: música boa e corrupção. Sem contar que temos a sensação de que até que esse pedaço de terra viesse a ser "Brasil", muita safadeza rolou, até um certa dor-de-barriga no processo de independência (e que nada se fez diferente). 
190 anos de independência e dizer que nada mudou? Bom, de fato, no momento, nada ficou diferente. Mas não posso esquecer a cena final do filme "O cortiço" em que todos comemoram sem saber porquê, a República. A diferença não se fez no momento e nem nos despregamos da metrópole, nem hoje, onde somos levados a crer que vive bem quem vive a lá europe, mas apesar de tudo vivemos do nosso jeito. A nossa cultura é de encher os olhos, tiro por Carmem Miranda que colocou frutas na cabeça e ganhou o mundo sendo brasileira. Chico Science que fez americanos mexerem o corpo com seu maracatu atômico. Chico Buarque que é o queridinho dos franceses. E quantos mais, não citados, que fazem estrangeiros invejarem por não terem isso. Eu tenho orgulho do país em que vivo, mesmo que nas esquinas ainda haja o pânico da violência, mesmo que na periferia a indiferença ainda arda, mesmo que todos ainda fiquem embriagados com o poder. Isso haverá em todos os países, em todo canto e sempre, mas poucos têm tanta força de vontade quanto nós, brasileiros e mais: nordestinos. A beleza desse país é invejável, a alegria que há em todos é contagiante e a força de um cidadão é capaz de mudar a situação. 
Em ano de eleição tudo isso parece meio que proposital, mas eu me importo com política e não acho chata, aliás, acho até interessante ver que senadores e deputados brigam entre si pra por em prática seus objetivos, não o coletivo. A diferença é que a mudança não se faz com revoltas, revoluções ou reclamações, tudo aleatório (pode ser que faça), mas hoje, hoje onde os abaixo-assinados são feitos sem a necessidade da presença, hoje que a informação voa, hoje em que o voto é livre. Hoje, muito mais, somos capazes de fazer diferença, de dar cara nova pro país. 
"[L]embrarei que todos quantos apelaram, por volta de 1822, para a palavra independência pensavam, e pensavam corretamente, que ela significava acima de tudo a ruptura dos vínculos políticos que prendiam ainda a antiga colônia à antiga metrópole. Querer discutir sobre se a quebra desses laços impedia ou não uma dependência econômica em relação a outros países já é outro assunto. Quando se falava em independência era a soberania política diante do reino europeu que estava em jogo. Poucas nações que se presumiam independentes, a começar por Portugal, podiam furtar-se então a alguma forma de sujeição econômica, intelectual, em alguns pontos, política."
 Sergio Buarque de Holanda. “Sobre uma doença infantil da historiografia”
O que ganhamos com a ONHB.


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