04 julho 2012

Então, era você?

Então, era você? O tempo todo era você? Eu lembro bem de todas as vezes em que acordei sozinha e olhei pro lado e via alguém, eu abria um sorriso e não dava pra ver quase nada, porque a luz do sol era muito forte e minha vista estava embaçada. Eu via seu cabelo, sua silhueta, mas nada do seu rosto, só sua boca, que sorria. Quer dizer que era você? Eu sempre pensei que demoraria mais um tempo pra descobrir quem seria, mas hoje - em tão pouco tempo - eu tenho certeza que era você ali. Era você? Jura? Era você quando eu comprava sorvete e sentava em um banco grande, com a mão direita sobre a madeira, esperando que aquele moço que eu via do meu lado a segurasse. Porque eu sempre soube que em algum lugar a sua mão ficou sozinha sobre a mesa; era porque a minha estava embaixo da sua. Assim, combinando, não cumprindo o comprimento, mas aquecendo a minha, que já ficava mais fria
Hoje eu te vejo e é inacreditável como seu jeito se parece tanto com o de todas as pessoas que eu já vi e até conheci, mas não, não eram elas. Ninguém tem seu rosto, ninguém tem sua mão e ninguém, tenho certeza disso, ninguém tem seu abraço. Existem melhores - é bom lembrar que poucos abraços são bons como os abraços de leões com saudade - mas eu queria o seu e sempre quis, sempre foi assim, você sem me ter e eu a te querer, mesmo sem saber.
Era você? Era pra você que eu escrevia coisas lindas; você é "ninguém"? Porque sempre que me perguntavam pra quem eu escrevia tanta coisa bonita eu sempre respondia ríspida "é pra ninguém". Mentira, era pra você. Você. Você, com letra maiúscula. Meu. Meu, com letra maiúscula. Muda seu nome, muda seu nome e se chama Meu, Meu Pedaço, Meu Melhor Pedaço. 

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