terça-feira, 25 de outubro de 2011

Primavera.

- Onde você vai me levar?
- Perto, ela dizia sem olhar, fica calmo. Ela esperava por aquele dia como uma criança que conta os dias para a festa do aniversário. Segurava sua mão na dela e queria mais sentir o atrito do que ter a certeza de que ele estava lá. Seu coração batia ao som do samba que tocava na cabeça, fazendo-a pensar que a bomba que batucava em seu peito era para movimentar seu corpo e não para mantê-la viva. Viver não importava, queria apenas que a sua primavera passasse aos olhos daquele que nunca havia visto tão dela. 
- Calma! Não vai sumir não, anda mais devagar, ele tentava rir segurando-a. 
Quando ele visse entenderia o silêncio dela, a vontade que ela tinha de que ele visse a primavera. Aquela árvore de flores amarelas era muito mais o amor dela por ele do que a própria primavera. Em uma cidade onde todas as árvores estão nuas, aquela era a coisa mais linda que ela poderia sentir ao ver. Era como se de todo o amor que ela pudesse sentir, o dele repousado no coração dela era o mais lindo que ela poderia sentir ao ver. 
- É aqui. Olha. 

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