03 agosto 2011

Samuel

Eu quero te escrever muito. As palavras de mim correm como se encontrassem em outra fonte uma forma melhor para saciarem-se. Como se os sentimentos que cá sinto fossem água. Água!
Serei a raposa que buscarei pelos cachos uvas e não acharei.
Porque tu dará uma por uma na minha mão. Para que eu não me farte de uma só vez.
Ser, ei de procurar ininterruptamente pela margarida mais perdida que seja, em qualquer local, para que eu não veja sua dor na ausência delas. Para que você possa ser.
Serei a sereia que buscarei no fundo do mar a fonte insaciável da minha sede, para que eu possa contar a ti onde as nossas dores se tornam formigas.
Formigas: nos mordem, nos doem, nos machucam e nos irritam, mas são adocicadas. Têm cheiro doce essas pequenas que andam por nossos braços e não fazem mal algum.
Serei a sereia cheia de liberdade que dará a ti a resposta das equações logarítmicas formuladas por matemáticos que de ti não têm pena, mas por não me conhecerem não se preocupam em decodifica-las o bastante para que eu não resolva. Mas eu resolvo.
Se quiseres tirarei de mim e guardarei em ti, para que jamais esqueças que aqui, cá dentro, há uma fonte acessível e livre, para que quando tiveres sede basta que você estique a mão e pegue. Estará ai alcance.
Talvez queira eu viver, viver como gente, deixar de ser sereia perfeita, metamorfoseada...
sulcar mares de imaginação e aportar no porto do teu coração! Mas não foi para isso que fugi dos mares.
"- Serei… sereia… serei a … se tu quiseres.
E eu… à falta de melhor… quero."