sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fedra

HIPÓLITO:
Senhora, me perdoa. Confesso, com rubor,
Ter entendido errado palavras inocentes.
Envergonhado, nem sei mais como olhar-te.
Eu parto...
FEDRA:
Ah! Cruel! Me entendeste demasiado bem!
Te disse o necessário para evitar enganos.
Pois saiba então quem é Fedra em todo o seu furor!
Eu te amo! Mas não penses que no instante em que te
amo,
Eu me creia inocente, me perdoe a mim mesma,
Nem que o amor desvairado que turba a minha razão
Tenha sido alimentado por uma vil complacência.
Objeto infortunado das vinganças celestes,
Eu me detesto ainda mais do que tu me detestas.
São testemunhas os deuses, que acenderam em meu
ventre
Esse fogo fatal a toda minha raça;
Deuses que se orgulham da glória vil
De seduzir a mim – uma frágil mortal.
É preciso que lembres o que aconteceu;
[...]

Alexandre Cabanel - Phaedra