25 julho 2011

Ele me levou pra lua.

- Mas que lugar estranho é esse que você me trouxe?
- Fica calada porque aqui não pode fazer barulho nenhum. - em sussurros.
- Mas não tem ninguém aqui.
- Shhhh!
Era o lugar mais estranho que já vi na vida, mas não importa porque ele me chamara pra ir com ele, até onde eu sei o seu maior desejo era ir pra lua... talvez fosse ali. O melhor foi quando ele tirou a venda dos meus olhos.
- AH! É aqui que você se esconde, então?
- Urrum.
- Aqui é muito frio.
- É, mas pode encostar.
- Aqui é sempre assim? Frio, calado...
- Eu não sei, nunca vim aqui.
- O quê? - um grito.
- Eu mandei você fazer silêncio, mas você é teimosa hein?!
- Certo, desculpe. Mas todos os dias vão ser assim?
- Eu nunca tive a coragem, de verdade, de vir aqui só. Imaginei essa cena milhões de vezes e olhe só, no fim foi você que terminou vindo comigo.
- E os dias deles? Vão ser sempre assim também?
- Vão, você não lembra de nada?
- Tem alguma coisa que devo me lembrar?
- Não, nada.
[pausa]
- Eu sonhei com você hoje.
- Foi? Como foi?
- Não sei bem, mas me lembro que foi em preto e branco.
Caíque se deitou com a cabeça encostada nos dois braços, olhando pro céu e com a cabeça no mundo da lua, literalmente. Passaram tantos minutos, ou até horas, quem sabe dias; na lua não havia dia, só noite; ele permaneceu em um silêncio que parecia ser daqueles inquebráveis, aqueles que eu tanto temia. Mas no fundo ele só estava pensando. A paisagem na lua não é das melhores, não há ninguém. Nada, é um silêncio perturbador que perturba a alma, é tão insuportável quanto o som de unhas arranhando em um quadro negro. E a escuridão? Bem, não era escuro, na verdade era o lugar mais claro que já vi na vida. Talvez ele também não tivesse visto um lugar mais claro; para ser mais sincera ainda eu pouquíssimo sabia sobre ele. Ele, que queria tanto estar ali, estava realizando seu desejo; pensava tanto, as vezes ria e quase nunca ficava desapontado, ele não se arrependia de nada?
- Mas, como foi seu sonho mesmo?
- Foi igual a todos, mas esqueça. Você vai demorar mais? Se você quiser ficar o tempo que quiser, eu espero, Vinicius.
- Por que me chamou disso? Você sabe muito bem qual é meu nome, e não é isso.
- Você nem se parece com você mesmo, olhado daqui, dessa claridade toda. E prestando muita atenção você não é como eu imaginava que fosse, olhado diante desse silêncio. Já que você pode escolher as máscaras que quiser, eu posso escolher o nome que quiser, certo?
- Você acha que demora?
- O quê que demora?
- Isso.
- Não sei, jamais estive aqui antes... e...
- Vamos ficar mais um pouco.
E passaram-se dias, ou horas, quem sabe até minutos. Na lua não faz dia, só noite. Ele não fazia caretas, só sorrisos.

Nenhum comentário: