27 julho 2011

Cornélio

Eu vou apenas dizer que somos a simetria. Não que sejamos iguais, tão iguais que ao separar dão a lembrança do que se é junto. Somos parecidos de uma forma tão antônima que ao juntar-nos daria apenas uma imagem, simétrica. Ao juntar nossas palavras, ao unir nossos corpos, o que veriam era apenas uma interpretação. Como se eu fosse hidrôgênio e você oxigênio, na união dos dois veriam água e amariam isso, mas se vissem apenas nós separados não haveria encanto. De você precisam, mas de mim nem tanto.
A questão não é precisar, é necessitar. É sermos tão diferentes que eu necessito ser igual a algo. Nossas vidas estão em algum livro e estão prestes a se cruzar, já cruzaram-se. Nós já nos cruzamos com muitos, eu com poucos homens e você com tantas mulheres, mas foi na mão-dupla e passou. A nossa simetria ainda está na contra-mão.
Você não percebe? Eu explico.
Somo tão nós, somos tão nossos que ninguém serve. O peso de corpo nenhum acerta essa balança, só o meu em contato com o seu faria o contador zerar. As suas palavras sozinhas são calmas, são tênues; mas as minhas são quentes, as minhas tem algo que ninguém sabe me explicar, mas eu sei que deve ser algo bom, mas devastador. Apenas as suas palavras alinhadas com as minhas poderiam acertar o peito de qualquer um, apaixonado ou não.
Só a minha mão - pequena e magra - caberia na sua, sem se perder ou sem encher: caberia. Porque a sua mão cresceu até o tamanho certo da minha (também crescida milimetricamnte calculada) para caber na sua. O melhor de tudo:
Só você, inteiro, foi feito na medida correta, calculadíssimo, pensado e estudado, para criar em mim as curvas mais tentadoras do meu corpo: meus sorrisos.

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