16 junho 2011

Sobre ser mulher.


Já fui bem feminina, de um jeito tão feminino que até as próprias mulheres tinham enjoo em me ver pela milésima vez empacotada em um embrulho rosa. Agora nem de rosa eu gosto tanto, gosto pouco, prefiro o azul: se eu pudesse pintava tudo de azul, acho até bom que todas as redes sociais são inicialmente azuis.
Hoje sou diferente, sou meio homem, sempre me pego dizendo "queria ter nascido homem", é claro que minhas amigas enumeram todos os prós disso, mas também é óbvio que os garotos me olhem com um sorriso de deboche no rosto - "maluca". Eles riem porque sabem como é fácil ser homem, e que se eles são mais fortes é porque não têm tantas coisas que os deixem fracos. 
Então, como a Mercedes de Martha Medeiros, eu tenho que me portar como uma moça. Faço tudo direitinho, me esforço um bocado para que no fim eu consiga ter êxito nessa minha tarefa de ser mulherzinha. Só não uso maquiagem, nem tenho objetos de uma cor só, nem me preocupo tanto com meu cabelo. Mas esse sim, o cabelo, me deixa com uma raiva imensa, justamente por eu não gostar dele e precisar dele. 
Então, eu não tenho a capacidade de ser qual mulher eu quiser, porque eu nem queria ser uma mesmo. Só a mulher mesmo, a de verdade e a que quer ser isso, pode escolher todas as suas máscaras com maestria: passando de dona de casa a mulher fatal. Mas isso é ser mulher, porque enquanto garota (e isso não é medido por idade, não necessariamente.) essa variação corre entre: bonito e tanto-faz. É assim mesmo.  Um grupo pensa em meninos e outro em professores. É por ai mesmo. 
Pronto, desabafei. :l