quinta-feira, 5 de maio de 2011

Muitos medos e milhões de sonhos.

- Eu poderia escrever milhões de cartas para ele apenas baseada no que ele me disse.
- Ele ia se entupir de você, ia ficar cansado antes de te conhecer e iria, com certeza, lhe mandar parar.
- Ele não faria isso, não, porque ele sabe que... É verdade, ele não sabe de nada, então eu acredito que ele faria isso mesmo.
- Se fosse o dentinho, certeza que ele não te deixaria. Mas então, o que você diria em uma outra carta?
- Eu pediria perdão pelos erros de ortografia ou gramática; contaria que não sonhei mais com ele, mas enquanto eu estive acordada foram as palavras dele que habitaram meu pensamento. Contaria que aquelas palavras me acertaram em cheio, apesar de não serem "leves" são como nuvens: nuvens: as únicas coisas verdadeiramente eternas. São sólidas e me dão uma certeza tão grande de que é isso o que eu quero.
- Certeza? Você não disse que será "com açúcar, com afeto"? Eu tenho tanto medo que ele te machuque, tanto. Ele é um homem, Barbara. Ele sabe muito da vida e sabe ainda mais que você tem quinze anos. Ele não vai esperar cinco anos para realizar um filme seu.
- Eu já pensei nisso também, por isso eu guardo meus segredos.
- Bom.
- Posso terminar? Então eu falaria ainda que sonho tanto em vê-lo, tenho tanta vontade de ir com ele ao teatro e ficar abraçada, ou melhor, envolvida com ele enquanto eu vejo um palco vivo. Eu prefiro isso a ir para Disney, sem dúvidas. Iria agradecer por ele ter dito que eu escrevo como uma Lispector.
- Lispector?! Meu Deus, ele já conhece você assim, tão bem?
- É, mas saber que eu gosto de Clarice não é segredo nenhum. Pois então eu diria que se ele quiser me conhecer, tudo bem; nós iremos ao teatro e ele cruzará sua mão na minha para concatenar minhas verdades.
- Com as mentiras dele?
- Não! Ele não mentiria para mim, se mentir eu iria parar com minhas palavras e...
- Isso causaria o fim.

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