19 julho 2018

10 Corso Como

10 Corso Como é uma loja, uma galeria, uma cafeteria, um hotel... e outras coisas que eu não consegui identificar. É um conceito genial de comércio em que a arte e o design são priorizados, navegar pelo site é como uma experiência cultural.
O que me chamou mais atenção e o que me fez passar mais tempo no site foi o design do site, seus ícones, logo e desenhos impressionantes. Gostaria de saber qual o nome desse estilo. Os desenhos foram feitos por Kris Ruhs, que é um artista nova iorquino que vive em Milão, e faz com que a marca se diferencie muito das que costumamos ver nos principais sites de moda que passam uma imagem de sofisticação e modernidade e riqueza, porque na 10 Corso Como dá pra ver como a arte é importante. Seus logos são sensacionais!









Eu AMO esse estilo de círculos que são feitos a mão, e livres, como se cada um fosse desenhado separado, ao invés de uma cópia da cópia da cópia... Além das linhas tortas tem as curvas, que me lembra desenhos infantis sobre a natureza. O que é algo muito diferente e até inovador pra uma loja de grifes caríssimas, de produtos sofisticados para pessoas cheias de recursos. O shopping Del Paseo tem uma proposta bem parecida e eu acho que é o único shopping da cidade que não precisa de uma reforma, porque essa estética artística é atemporal, permanece moderna sempre.

Provavelmente a escolha de duas cores predominantes fez tudo isso parecer mais profissional, e tudo parece mais profissional com preto e vermelho.

Fora tudo isso, me lembra muito a estética do final dos anos 2000 que eu tenho gostado tanto ultimamente, porque parecia uma época de experimentação e crescimento.

Esse design também está presente nas lojas, nos produtos, nas marcas... Mas deixo pra outro post.

18 julho 2018

Inverno da Prada em 2007

Eu não consigo me relacionar com a maioria das coleções, mas com a Prada eu quase tenho um casamento. Eu amo! Talvez porque suas roupas são simples e muito práticas, mas com design inovador, sempre com significado.

Apesar disso, eu não tenho conseguido acompanhar muito por causa da quantidade maluca de coleções que são lançadas durante o ano, sem contar as da Miu Miu, então eu sempre fico perdida. Normalmente, é quando vejo uma de suas antigas coleções que eu consigo "compreendê-la" melhor, porque já vi aqueles elementos nas ruas como algo que todo mundo realmente vestia. Na coleção de inverno de 2007 eu consigo identificar elementos populares da época, como o tafetá, os excessos, as cores sóbrias e a silhueta um pouco larga. Embora eu ache a moda dessa época muito brega (talvez porque me lembra muito a breguice da Capricho que eu tanto lia), essa coleção me fez ver tudo isso de uma forma nova, com elegância.
Eu consigo ver a Blair, a Serena, ou todos os upper east siders usando essas roupas e caminhando por Nova Iorque enquanto toca Flashing Lights do Kanye.

Vou listar o que eu mais gostei nessa coleção:

1 - Blazer
Uma das coisas que tento fazer pra aliviar a chatice que é ter que usar farda todos os dias para trabalhar, é achar formas de combiná-la com alguns elementos que a deixe com meu estilo, mas que continue sendo a farda que eu devo vestir. Sempre fico triste quando penso que quase não uso minhas roupas porque estou sempre de farda, mas quando vejo coleções como essa eu imagino que ela pode ser algo que eu goste de vestir e que faça parte do meu estilo. Acho genial usar acessórios de outras cores com esse conjunto de blazer e saia, ou usar outros tecidos.
Claro que não vou poder usar minha farda com uma meia incrível na cor mostarda, mas um sapato nessa cor sim. Também não vou poder substituir minha blusa branca por uma de pelúcia azul, mas minha bolsa pode ser.

2 - Blusa e saia


Queria muito saber que tecido é esse nessa blusa. Provavelmente é lã, mas eu nunca vi uma lã assim! Esse brilho é totalmente do futuro.
Embora essa coleção seja de inverno, ela não tem os casacos de sempre, os milhares de moletons e cachecóis, então eu super consigo trazer essas blusas de tecido pesado, com gola canoa (acho que é esse modelo) e mangas curtas pra minha realidade de verão. Nessa época não havia muita presença de estampas ou mensagens nas roupas, então as roupas são lisas e de cores vivas, o que eu acho lindo!


Acho que consigo trazer isso pra realidade! A coleção tem apenas duas calças, quase todos os looks tem saia ou vestido, e talvez por isso eu tenha gostado mais ainda. Desde que vi a Ana Maria D'ávila só vestir saia eu percebi que peça elegante, que sofisticação.

3 - Calça

Não sei qual o modelo dessas calças, mas normalmente as identifico como: de tecido (porque não são jeans), de alfaiataria (por causa do corte e da linha), social (porque parece com as do trabalho), embora sejam nomes nada a ver. O que quero dizer é que não tem calça mais bonita do que essas de cintura no canto certo, de corte certo, que faz você desfilar a cada passo, de tecido lindíssimo e elegante, que deixa só a pontinha do pé aparecendo...
Consigo ver a Jenna Rink (na versão chefona) saindo do escritório da Poise e andando por Nova York. Desfilando pelas calçadas enormes.
É muito elegante. Mas ao mesmo tempo diferente, porque a calça tem um degradê de verde escuro, com uma blusa verde menta, e o moletom é amarelo fofo de pelúcia.

4 - Sapatos

Em 2007 os vestidos eram enormes, normalmente estilo trapézio, marcados na cintura por cintos de elástico gigantes. Quando vi os sapatos dessa coleção eu só consegui pensar nesse estilo, por causa das tiras no peito do pé. E embora eu ache tudo aquilo muito brega e excessivo, eu fiquei apaixonada por essas sandálias. Não só por causa do salto curvado, que lembra muito a Lady Gaga, mas porque parece muito mais uma peça de design do que as simples sandálias de tirinhas que temos hoje.
Eu adoraria ter um sapato tão estiloso assim pra usar todos os dias com tudo. Não sou muito adepta a saltos, pelo desconforto, mas esses parecem que dão certo.

5 - Cores, efeitos e texturas




6 - Pretinho básico


O preto básico que a Prada propõe tem a gola alta ou é surpreendido por uma peça de pelúcia vibrante.

7 - Furrrr



Pelo que li, essa pelúcia no lugar da pele foi o que mais impactou as pessoas na época. Eu simplesmente amei! Uma peça de pelúcia torna qualquer roupa simples em uma super produção. Não sendo suficientes, essas pelúcias tem também cores incríveis que vão de um azul e amarelo pálido pra um verde e laranja vibrantes, juntos. Me sinto muito mais encorajada a usar minha blusa de pelúcia em dias comuns, ao invés de esperar o momento apropriado.

Uma outra coisa interessante da coleção são as meias. Na época o legging era uma das peças mais usadas, junto dos vestidos volumosos. Era o legging que dava cor, estilo e um conforto pra usar as peças esvoaçantes. Vi essas meias como algo semelhante ao legging, dando o mesmo efeito por parar no tornozelo.

Essa coleção me faz pensar totalmente em mulheres muito ricas e inteligentes que são donas do próprio destino, como todas as roupas da Prada. Apesar de eu não ser nada disso, é definitivamente alguém que eu quero ser, e consigo me ver nesse futuro pelas roupas.

17 julho 2018

Hamburguer do Plâncton



Arthur comendo um hamburguer rosa, caro e muito ruim, com cajuína, no dia em que a gente conversou sobre querer ficar junto pra sempre e eu me apaixonava por ele todas as vezes em que ele olhava pra mim.

16 julho 2018

Análises.

Estava olhando os primeiros posts do blog da Alix, The Cherry Blossom Girl, e como todos daquela época entre 2007 e 2010, tinha várias opiniões sobre coleções de moda. Seja a Tavi, a Yui ou a Jana Rosa, todas postavam comentários não muito profundos sobre coleções recém-lançadas, de estilistas famosos ou não, analisando quais suas peças favoritas, que adorariam tê-las e como iriam usá-las. Próximo ao verão ou ao inverno elas comentavam sobre as coleções que tinham as melhores roupas pra usar em cada estação.

Eu adoraria fazer isso, de verdade. Teve uma época que tentei, mas eu não conseguia entender as roupas e as coleções, e até hoje me questiono sobre o que vejo na moda. Então pensei em alguns motivos (desculpas) que explicam o fato de eu não conseguir comentar coleções como elas, embora eu quisesse muito:

1 - Hoje em dia são lançadas umas dez coleções por ano de cada estilista, e dependendo do seu tamanho, cada coleção pode ter cerca de 100 modelos. É como o debate sobre o lançamento do Kanye West e do Drake, em que questionam a qualidade ou a quantidade. Não que o milésimo desfile da Gucci só esse ano que tem uns 70 outfits seja ruim em qualidade, ou menos inovador, mas o que dizer sobre? Se não for mais do mesmo... Na Elle todo mês sai uma matéria sobre a grife falando sempre a mesma coisa. Quando comecei a acompanhar os desfiles da Prada, porque realmente gosto das roupas, mal vi um e já tinha outro... Talvez em 2007 também tivessem muitos desfiles pra se olhar e comentar, até porque as pessoas sempre começam as postagens contando como a semana de moda é maluca e cheia de coisas e muitas informações e euforia. Mas a indústria não era tão rápida quanto o see now buy now de hoje em dia.

2 - O minimalismo de Marie Kondo, no qual acredito verdadeiramente, me impede de acreditar que tudo nas coleções é muito desejável. Então quando vejo uma coleção dificilmente vejo potenciais peças para usar, mas uma obra de arte feita por artista da minha geração que após pesquisa, inspiração e trabalho conseguiu produzir algo que muitas vezes choca, que enche os olhos de beleza, que nos faz questionar ou que simplesmente é uma expressão de sua cabeça maluca de ser-humano. E dificilmente eu consigo explicar essa sensação de admiração com palavras ou reduzir a alguns comentários. Então não consigo olhar pra uma coleção de alta costura, ou pelo menos um colaboração com lojas de departamento, e desejar algo porque eu acho que essas roupas quando viram só roupa perdem todo o sentido. Sem contar que eu não imagino vestir nenhuma delas, ao menos parecidas, pra ir aos locais ordinários que eu sempre vou.

3 - Embora eu consiga identificar vários elementos das passarelas na moda de rua da minha cidade, por exemplo, eu não consigo ainda colocar todas aquelas roupas e estética para o meu contexto. Talvez por isso eu goste de figurinos dos filmes, coleções mais antigas e do estilo de pessoas específicas, porque consigo colocar as roupas num contexto real em que alguém soube combinar peças de um jeito único.

4 - Isso é óbvio, e sempre digo isso pra mim, mas eu acho que poderia ser mais contente comigo mesma e confiar no meu gosto. Sempre me pego lendo textos de blogs sobre moda e pensando como posso reproduzir essa capacidade de manter uma relação com a moda. Mas não preciso reproduzir, basta eu me inspirar. Na verdade nem preciso produzir, não é meu trabalho, é meu hobby.

E por isso que eu digo, sempre que alguém me fala que eu poderia trabalhar com moda, que se eu tivesse que ler blogs, coleções e estilos por dinheiro, com certeza eu acharia um inferno e odiaria toda nova coleção da Gucci com seu centésimo quinto desfile.

13 julho 2018

O apagão digital de Alix.

Alix escreveu em seu blog:
"I wish I published these photos earlier, but a very unfortunate computer accident happened to me: I made a bad manipulation on my external hard drive which contained a gigantic amount of photos and lost all of them, including photos from Iris when she was just born. 
It was a big emotional shock for me since I’m someone who’s particularly attached to photos, and it’s one of the reasons it’s been very quiet here since september. I was really scared and hardly using my computer after this. 
It’s kind of hard to recover from this episode, but there’s worst and life goes on, and I hope you don’t mind too much me not being here these past few months."

Isso só fortalece meu medo por um apagão digital em que tudo isso que eu tenho na internet desapareça, nesse local que não é real.

E pensar que foi justamente quando vi o blog da Alix resistindo ao tempo que eu pensei "que apagão que naaaaada".

Provavelmente a solução nem seja manter tudo no mundo real, com objetos reais, uma vez que tudo pode explodir e desaparecer como acontece em Clube da Luta.

Provavelmente a solução para a maluquice que eu inventei e que me atormenta seja pensar como a Tavi que atuou durante vários dias a mesma peça que ninguém nunca mais vai ver, sabe decorado falas que nunca mais vai falar porque no teatro as coisas acontecem e desaparecem e por isso é espetacular.