Brooks. Brasil. 1995.
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Finanças para não milionários

Influenciada pela onda de investimentos e obssessão por dinheiro nesses últimos tempos, comecei a me criticar muito por não ter uma poupança gordinha e por sempre estar sem dinheiro. Por isso, há alguns meses, li O homem mais rico da Babilônia, de George Samuel Clason (1926), em busca de orientações financeiras básicas.

O livro até que foi útil, especialmente em me fazer perceber que não posso ser tão dura comigo em relação a isso e que ser rica não é o grande objetivo da minha vida. Fiquei até envergonhada de perceber que dinheiro se tornou a maior das minhas preocupações de uns tempos pra cá, mesmo que eu não tenha dívidas. Eu não acho que preciso anotar cada centavinho que entra ou sai, nem que eu estou ficando louca por não investir um real que seja no Tesouro. Na verdade, durante o tempo que pesquisei e estudei sobre o assunto eu me sentia estressada e bem doida.

Minha preocupação é genuína? Eu realmente quero aprender a investir? Ou eu estou apenas seguindo a tendência do momento cegamente? Várias coisas me fizeram pensar nisso. Uma delas foi a capa impactante da revista Você S/A de outrobro de 2020. Outra, foi a fala do Mathew McConaughey em Lobo de Wallstreet, que eu postei aqui. É tudo uma bela ilusão.

Voltando ao livro que li, ele não é totalmente negativo, mas também não é ótimo. Escrito na época da crise de 1929, ele parece ser mais um conselho para quem nunca aprendeu nada sobre dinheiro. Sendo assim, acho legal compartilhar as sete lições principais, que ajudam a impor alguns limites. 

1. Conserve 1/10 de tudo o que ganhar: Evite gastar mais do que 90% do que você ganha e, aos poucos, você vai ter juntado recursos para coisas maiores. Logo que li isso fiquei preocupada pensando em qual investimento colocaria meus ricos R$100,00, com medo de fazer o investimento errado. Bobagem. Se eu guardar numa gaveta que seja, o benefício será o mesmo. Acredito que isso é muito mais sobre ter limites do que de fato ser rico.

2. Controle as despesas necessárias: Avalie seu estilo de vida e separe o necessário dos desejos. Isso é muito importante porque, como o autor diz, "nossos desejos são maiores do que a terra pode satisfazer". Não acho que anotar todos os ganhos e despesas seja algo totalmente ruim, porque ter o controle sobre os gastos é muito importante para identificar o que pode ser evitado, o que foi comprado por impulso e não pode se repetir. Mais uma vez, só precisamos de limites.

3. Multiplicar os rendimentos

4. Proteger-se da perda

5. Tenha o próprio lar: Segundo os "investidores", alugar uma casa é melhor do que comprar, sempre. Então fiquei muito espantada quando vi essa dica no livro. A justificativa do autor é porque ter a própria casa traz alegria para a família e reduz as despesas. No entanto, ele recomenda que você peça emprestado de alguém e vá pagando o empréstimo com o valor que pagava no aluguel. Parece um ótimo negócio, mas Deus não recomenda muito que tenhamos dívidas, levando em consideração o monte de problemas que isso traz (aqui). Ou seja, dicas como essa do livro parecem ser geniais e simples, mas ignoram seus perigos.

6. Assegurar uma renda para o futuro: Ele recomenda que desde jovem é importante se preocupar com a velhice, quando não teremos mais como trabalhar. 

7. Aumente sua capacidade para ganhar: Essa dica é uma das minhas preferidas. Ele fala que quanto mais se estuda e aperfeiçoa as capacidades, mais se trabalha e ganha. Não gosto muito de pensar em estudar para ganhar mais dinheiro, mas estudar mais para de alguma forma ser útil às pessoas e criar coisas novas é muito legal. 

Bem, essas são as sete preciosas dicas para lidar bem com o dinheiro. No resto do livro tem outras dicas que ignorei, como agradar a deusa da sorte e desejar sempre o que há de mais caro. Qualquer filosofia que valorize o dinheiro a esse ponto certamente não é boa. E qualquer truque que prometa riqueza sem trabalho é pura ilusão. Apesar disso, consegui extrair algo bom e ser um pouco mais responsável com o resultado do meu trabalho. Limite é tudo. 

como saber se está realmente com fome

Pense na comida que você mais odeia. Se você estiver com fome a ponto de comer essa comida horrível... ok, você realmente precisa comer.

A beleza, por Roger Scruton

In a strange way they make us feel at home. They remind us that we have more than practical needs. We are not just governed by animal appetites, like eating and sleeping, we have spiritual and moral needs too and if those needs go unsatisfied, so do we.

We all know what it is like, even in the everyday world, suddenly to be transported by the things we see. From the ordinary world of our appetites to the illuminated sphere of contemplation. A flash of sunlight, a remembered melody, the face of someone loved, these dawn on us in the most distracted moments and suddenly life is worthwhile

These are timeless moments in which we feel the presence of another and higher world. From the beginning of Western civilization, poets and philosophers have seen the experience of beauty as calling us to the divine. Plato, writing in Athens in the fourth century BC, argued that beauty is the sign of another and higher order. Beholding beauty with the eye of the mind you will be able to nourish true virtue and become the friend of God. 

Plato was an idealist. He believed that human beings are pilgrims and passengers in this world, while always aspiring beyond it to the eternal realm where we will be united with God. God exists in a transcendental world to which we humans aspire but which we cannot know directly. But one way of glimpsing that heavenly sphere here below is through the experience of beauty.

(...)
Through the pursuit of beauty, we shape the world as a home, and in doing so, we both amplify our joys, and find consolation for our sorrows. Art and music shine a light of meaning on ordinary life, and through them we are able to confront the things that trouble us, and find consolation and peace in their presence
This capacity of beauty to redeem our suffering is one reason why beauty can be seen as a substitute for religion. Why give priority to religion? Why not say that religion is a beauty substitute? Or better still, why describe the two as rivals? The sacred and the beautiful stand side by side; two doors that open up into a single space, and in that space, we find our home.

- Roger Scruton, Why Beauty Matters? (2009)

sobre investimentos:

Mark Hanna: Move the money from the client's pocket into your pocket.

Jordan: Right. But, if you can make your clients money at the same time it's advantageous to everyone, correct?

Mark Hanna: No. Number one rule of Wall Street: Nobody - I don't care if you're Warren Buffett or Jimmy Buffett - Nobody knows if the stock's going to go up, down, sideways, or in fucking circles, least of all stockbrokers. It's all a Fugazzi. You know what a Fugazzi is?

Jordan: It's, uh... "Fugazi", it's a fake...

Mark Hanna: Fugazi, Fugazzi. It's a wazzy, it's a woozy. It's [whistles] fairy dust. It doesn't exist. It's Neverlanded. It is no matter. It's not on the elemental chart. It's not fucking real. Stay with me. We don't create shit. We don't build anything. So if you've got a client who bought stock at 8 and it now sits at 16, and he's all fuckin' happy. He wants to cash in, liquidate, take his fuckin' money and run home. You don't let him do that, because that would make it real. No. What do you do? You get another brilliant idea. A special idea. Another "situation". Another stock, to reinvest his earnings and then some. And he will, every single time, because they're fucking addicted. And then you just keep doing this, again and again and again and again. Meanwhile, he thinks he's getting shit rich, which he is, on paper. But you and me, the brokers, we're taking home cold hard cash via commission, motherfucker!

- The Wolf of Wall Street (2013)

meu primeiro Murakami 🌄

 Li o livro Sul da fronteira, oeste do sol do Haruki Murakami por recomendação da Victória. Foi uma experiência única poder estar na cabeça de alguém tão "normal" vivendo uma história "banal", com muitas emoções e sentimentos que eu estou acostumada a ver e sentir. A Victória me disse que esse é o poder do Murakami. De alguma maneira ele descreve sensações que estou acostumada a sentir, mas que não consigo rcionalizar. É um livro cheio de reflexões geniais sobre o ser humano comum e moderno. É um livro que entrou no meu hall da fama, que eu cito nas minhas conversas e que eu teria prazer em ter numa estante só para ficar lendo algumas coisas de vez em quando. Mesmo o livro não sendo meu, marquei tudo aquilo que gostei porque a Victória deixou. É difícil me separar dele agora, porque gostaria de copiar tudo o que ele fala sobre a Shimamoto, tudo o que ele diz sobre os jardins de fantasia, sobre se tornar mal, sobre a pobreza e a riqueza, sobre a difícil percepção da realidade e até sobre suas experiências sexuais malucas. São descrições tão impressionantes que eu não me canso de reler. Tentei digitar aqui os trechos que eu marquei, mas minha tendinite não ajuda muito. Enfim. Essa review poderia ser bem melhor, já que esse livro me impactou tanto. Na maior parte do tempo, enquanto eu estava na sala de espera da minha consulta, eu sentia como se estivesse ao lado de Hajime, todo tempo. 

tbr do resto da vida

Cansada de guardar livros que nunca tinha lido, tirei todos da estante e os coloquei em um local acessível, pra que eu não esquecesse deles. Minha surpresa foi perceber que tenho pelo menos 30 livros para ler. Isso deveria me deixar feliz, porque tenho muita diversão pela frente. Mas isso me deixa um pouco assustada, por achar que no ritmo que eu leio vou levar uma eternidade para desfazer essa pilha de livros. Nesse vídeo sobre livros e livraria, o carinha fala que ama livrarias porque as capas são sedutoras, assim como o conteúdo dos livros parecem universos facilmente exploráveis. O problema, que eu também enfrento agora, é que ele foi seduzido demais por muitos livros mas não dedica muito tempo à leitura. Essa pilha só cresce. Ele faz um cálculo bem legal para saber quantos livros leria se todas as noites ele lesse apenas meia hora. É impressionante. Aqui vai meu cálculo:

Livros que eu comprei

  • Franny and Zoe, J.D. Salinger, 1961, 176p
  • I love Dick, Chris Kraus, 1997, 277p
  • O Sensacional da Moda, de Ana Mery Sehbe de Carli, 2008, 160p
  • Theft by finding, de David Sedaris, 2017, 528p
  • Rookie on Love, Rookiemag, 2018, 288p
Livros doados
  • A mulher que escreveu a bíblia, de Moacyr Scliar, 1999, 117p
  • O diário de Suzana para Nicolas, de James Patterson, 2001, 215p
  • Quando ela se Foi, de Harlan Coben, 2009, 347p
  • Um dia, de David Nichols, 2009, 485p
  • Por quê, de Simon Sineck, 2009, 289p
  • A menina que não sabia ler, de John Harding, 2010, 240p
  • O segredo do meu marido, de Liane Moriarty, 2013, 396p
  • Foco, Daniel Goleman, 2013, 307p
  • Dataclisma, Christian Rudder, 2014, 403p
  • 10:04, de Ben Lerner, 2014, 219p
  • O amor que sinto agora, de Leila Ferreira, 2018, 227p
Livros emprestados
  • A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol, de Haruki Murakami, 1992, 165p
  • Windows on the world, de Frédéric Beigbeder, 2003, 352p
Livros do Arthur
  • Neuromancer, de William Gibson, 1084, 405p
  • O ciclo da autosabotagem, de Stanley Rosner e Patricia Hermes, 2006, 245p
  • As crônicas de Marte, de James S. A. Corey, 2013, 512p
6.353 páginas. 
Leio 40 páginas em 1 hora
Se todos os dias eu ler por 1 hora, lerei todos esses livros em 160 dias, mais ou menos. 
Até o fim de 2020, ainda tem 108 dias.
Ou seja, dá tempo de eu colocar o pé em 2021 com muito mais inteligência e confiança do que quando entrei em 2020, totalmente bobinha. 
Isso me anima.

Diário de filmes

Em 2013, minha prima surrupiou algumas agendas comerciais do pai dela e tivemos a genial ideia de fazer um controle dos filmes que assistimos. Não sei quanto durou a agenda delas, mas a minha está aqui cheia de recordações maravilhosas.

Lembro do dia em que a gente foi na gráfica imprimir várias fotos de filmes para ilustrar o diarinho. Foi super barato! Era muito divertido pesquisar sobre o filme e escrever sobre ele. Achei meio bobo colocar informações técnicas, mas para a Brunna de dezoito anos isso deveria ser muito importante, não era perda de tempo. 
Amei que eu coloquei "when - where - who", porque melhor do que saber qual filme eu assisti é saber quando, com quem e onde. Se faz tempo, se foi no cinema, se foi com alguém que já esteve muito presente na minha vida ou se é alguém com quem eu ainda vejo filmes. Por exemplo, amei lembrar que assisti A Feiticeira com a Leila no Cinema em 2005, quando eu tinha 10 anos. É um filme que eu amo até hoje. 
Esse diário marca um momento super legal na minha vida, em que o cinema era uma das coisas mais importantes pra mim e pra minhas primas. Nosso desejo por viver experiências fantásticas era imenso. 
Cada filme anotado, cada comentário, me traz memórias maravilhosas. Ele foi abandonado no 97º dia do ano, quando assisti Calígula. Será que ele me influenciou muito??? De alguma maneira, ele fala muito sobre mim e me conecta comigo mesma. É algo que o controle de filmes online não proporciona. Acho que vou tirar o pó dessa agenda e escrever nela mais um pouco :)